19/07/2021 às 18h25min - Atualizada em 19/07/2021 às 18h25min

Antonio WadyJarjura um símbolo da história política de Colatina

Em vida, Jarjura foi homenageado em um dos carros alegóricos da Império de São Silvano

- Por Paulo César Dutra (Cesinha)
Presente & Passado
Ex-vereador Jarjura foi uma figura lendária no meio político colatinense. Foto: Divulgação. Reprodução: Paulo César Dutra.l
 
 
“Vão em paz meus amigos eleitores para suas casas, com um grande abraço deste que conta com vocês para o crescimento da nossa cidade! Até lá, nas urnas, deste que vos fala, Antonio WadyJarjura, vulgo Cocodilo”.

Era assim que o então vereador da cidade por cinco vezes, Jarjura, se despedia nos encerramentos dos comícios na cidade. O motorista de caminhão WadyJarjura ingressou na política por intermédio do professor, engenheiro e deputado federal Belmiro Pimenta Teixeira. A ideia e o “empurrãozinho” surgiram depois de um encontro dele com o engenheiro em Ibiraçu, onde parou para jantar. Belmiro vinha de uma viagem de Linhares para Colatina, e ele deu-lhe uma carona no caminhão. Conversando na viagem, Belmiro incentivou o motorista a ser candidato a vereador.
 
“Eu estava com o caminhão muito carregado e quando parei para jantar, fui cumprimentado pelo Belmiro. Eu não o conhecia e aí conversamos, e ele disse que era de Colatina, e que eu era muito simpático e popular”. Belmiro era do grupo do então prefeito da cidade Moacyr Brottas e Jarjuraapoiava o ex-prefeito Honório Fraga. Na eleição de 1966, Moacyr Brottas era candidato a prefeito e tinha com candidato a vice ZuzaZouen. E no embalo, Belmiro lançou Jarjuracomo candidato a vereador da chapa. “E aí, fui o segundo mais votado, e depois repeti o mandato mais quatro vezes, de 1967 a 1982”, disse Jarjura em 1990, para um jornalista da cidade, que escrevia no Grupo ‘Colatina em Ação’ no facebook.
 
Antonio Wady Jarjura, faleceu em 8 de junho de 2016, como uma figura lendária no meio político colatinense. Um cidadão que acumulou nos seus 89 anos de vida muito respeito e também muitas amizades. Foi vereador por vários cinco mandatosdos anos 1960 aos 1980, período em que também prestou muitos serviços ao município, atuando sempre no setor de obras da Prefeitura.
 
Jarjura fazia parte da terceira geração da família que saiu do Líbano para o Brasil entre o fim do século XIX e o início do século XX. Naquela ocasião, grandes quantidades de libaneses de diferentes etnias e religiões saíram do país fugindo dos conflitos bélicos e perseguições religiosas internas.
 
O Líbano é um país do oeste asiático situado no extremo leste do mar Mediterrâneo, numa região onde, de acordo com a história, surgiram as primeiras grandes civilizações. É uma das pátrias históricas dos fenícios, negociantes semitas da Antiguidade, cuja cultura marítima floresceu na região mais de 2000 anos e que criou o primeiro alfabeto, do qual saíram todos os demais, tanto semíticos como indo-europeus.
 
O país foi colocado sob o comando francês confirmado pela Sociedade das Nações em 1922, após o fim da Primeira Guerra Mundial e outros acontecimentos, e a ocupação da Mesopotâmia e da Palestina pelas tropas francesas e britânicas. Reconhecida a importância que o petróleo teve durante a guerra, as potências ocupantes decidiram controlar seu território e impedir o acesso alemão aos poços de petróleo de Kirkuk. A República Libanesa foi criada em 1926.
 
Muitos libaneses migraram para as Américas nessa época, estabelecendo-se em países como os Estados Unidos, Argentina e Brasil.

O avô de Jarjura era um deles. “Eram três irmãos, entre eles meu avô Michel. Ele preferiu vir para o Brasil, enquanto os irmãos foram, um para a Argentina e o outro para os Estados Unidos. Eles mantiveram contato por muito tempo com meu avô e meu pai. Sei que tenho muitos parentes nestes países, descendentes deles”, disse Jarjura para a Grupo “Colatina em Ação”.
 
Quando seus avós paternos, Michel Jorge Jarjura e Cecília, vieram para o Brasil, já eram casados no Líbano, e trouxeram de lá as filhas, Nazaré e Santinha. No Brasil, eles tiveram Wady Miguel, o pai deJarjura, que nasceu em Caravelas (Bahia). No Espírito Santo, Miguel foi capitão da Guarda da Polícia Militar (PM).
 
Wady Miguel casou-se com Amália Pratti e morava no município de Ibiraçu quando Antonio Wady Jarjura nasceu em 1926. Cinco anos depois Miguel foi à terra natal da família, viajando com a mulher e o filho (Jarjura) para conhecerem os parentes. E foi lá que Jarjura, filho único do casal, aprendeu a falar árabe, e também o francês, e viveu lá até aos 12 anos.
 
Jarjura contou que lá, na época, não existia escola, e por isso ele estudava debaixo de um pé de nozes, e para escrever usava a lousa* (*lâmina de pedra extraída de xistos argilosos da variedade ardosífera). Ele disse que estudava sentado numa pedra e com a tábua na mão apoiada no colo. Era criança e tudo era divertido. No verão a família subia para a montanha e no inverno descia. Lá Jarjura era rico e podia fazer isso, porque tinha que ter muito recurso para se locomover e comprar alimentos.
 
Outras lembranças do Líbano, na memória dele, eram a colheita de azeitona e as brincadeiras na neve, durante o inverno. Ele disse para o “Colatina que “nessa idade eu colhia azeitona. Uma colheita de 50 latas era transformada em muito azeite. Eu gostava demais. No inverno a gente brincava com neve, de jogar bola de neve um no outro”, disse ele  para o “Colatina em Ação”.
 
Como o Líbano era administrado pela França, o futuro presidente da França, general Charles De Gaulle, político e estadista francês era o interventor daquele país, que inclusive virou amigo do pai de Jarjura,Wady Miguel. Jarjura disse para o Grupo que, “eles eram muito amigos. T

anto que nós ficamos um mês na casa do De Gaulle, enquanto esperávamos o navio chegar no Líbano para voltarmos ao Brasil. Eu tinha 12 anos. Lembro que quando desembarcamos no Brasil, a 2ª Guerra Mundial (1938 a 1945) estourou. Quase que ela nos pega em alto-mar”.
 
Outro período marcante para Jarjura foi o período da Guerra, foi quando o Líbano conquistou a independência (1943).  Outro fato inesquecível de Jarjura em 1945, quando entrou no Exército brasileiro e foi convocado para a II Guerra na Itália. Porém quando ele a embarcar para a Europa, a guerra acabou.
 
Em Colatina
 
Em 1939 a família de Jarjura, quando ele tinha 13 anos, chegou à Colatina, para morar em São Silvano, que na época, segundo ele, tinha só oito casas. Da cabeça da ponte Florentino Avidos até no trevo do Sesi/Senai eram 12 os donos das terras. Tudo de pequenas propriedades. Eram eles Pedro Giurizatto, Orestes Bongiovani, AntonioDel Santo, João Monteiro Spelta e as famílias Zaché, Ferrari, Sfalsini,Balarini,Forrechi e Simonassi.
 
Das casas antigas de São Silvano, Jarjura se recordava, que existia uma que fica perto da casa do empresário Argemiro Balarini, na avenida Silvio Avidos. Ela foi feita de tijolinhos a vista e muita gente que Jarjuraconhece morou lá. Segundo ele, o último moradorda casa foi o cabo Henrique. Jarjura disse que sua família morava em frente dela.
 
Jarjura falou também do Bar do Abdala, que ficava na esquina da Avenida Getúlio Vargas, próximo à Praça Municipal, perto da 1ª estação ferroviária que era no centro da cidade e da antiga Casa Antenor. De acordo com Jarjura, o Bar do Abdalla funcionava 24 horas. De dia era um bar comum e de noite abria para a farra. “As mulheres da vida é que frequentavam. No seu lugar hoje tem um prédio”, disse Jarjura.
 
No campo profissional, Jarjura trabalhou boa parte de sua vida como caminhoneiro, viajando pelas estradas do país. Do segundo casamento do pai, Jarjura tevedois irmãos Jorge e Cecília, criados por ele após a morte do pai deles, que morava em São Paulo, e faleceu aos 55 anos. A mãe de Jarjuramorava no Rio de Janeiro, e dois anos antes de morrer (aos 99 anos) veio morar em Colatina.
 
Política

 
Jarjura ingressou na política por intermédio do engenheiro da Prefeitura de Colatina, Belmiro Pimenta Teixeira. A ideia e o “empurrãozinho” surgiram depois de um encontro com o engenheiro em Ibiraçu, onde parou para jantar. Belmiro vinha de uma viagem a Linhares para Colatina, e ele deu-lhe uma carona no caminhão. Conversando na viagem, o incentivou a ser candidato.
 
Em vida,no desfile de carnaval de 2014, da Cidade, Jarjura foi homenageado em um dos carros alegóricos da Escola de Samba Império de São Silvano. Jarjura morreu no dia 8 de junho de 2016, e no dia seguinte, data do seu sepultamento, ele foi homenageado na Assembleia Legislativa do Espirito Santo – ALES.

A homenagem foi transmitida pelo então deputado estadual e hoje prefeito de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos, que disse “...faremos uma homenagem ao ex-vereador Jarjura, de Colatina, quemorreu ontem com 89 anos. Jarjura foi vereador por cinco mandatos em Colatina. Uma figuraconhecidíssima na política do Espírito Santo.

No final da sessão faremos um minuto de silêncio emmemória do vereador, que representou muito bem o município e os vereadores da política do estado...”. (Com informações do grupo no facebook, o ‘Colatina em Ação’, publicado no dia 8 de junho de 2016).
 
 

 

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