23/09/2021 às 06h34min - Atualizada em 23/09/2021 às 06h34min

Recordações de uma pioneira - 100 Anos de Colatina

Texto transcrito da revista NOSSA nº 45 de outubro de 1989

- Paulo César Dutra (Cesinha)
Presente & Passado
O primeiro prédio de Colatina era chamado de Sobrado. No mesmo local funcionou uma loja e o dormitório do hotel familiar. Foto: Reprodução.


 
“Morando na rua que hoje leva o nome do seu falecido marido, o madeireiro Heitor Salles Nogueira, dona Maria Giuberti Nogueira (dona Mariquinha) é uma senhora septuagenária muito amável e bastante hospitaleira”.

Em 1989 quando ela deu esta entrevista que transcrevo aqui, ela estava com 79 anos. Nascida em 5 de outubro de 1910, em Colatina, ela é filha de AngeloGiuberti e Adélia Ferrari Giuberti, numa união de duas famílias tradicionais da Princesa do Norte, Giuberti e Ferrari.
 
Dona Mariquinha como era mais conhecida, era irmã do ex-senador, ex-governador e ex-prefeito de Colatina, Raul Giuberti. Ela tinha nove irmãos. Do casamento com Heitor, ela teve três filhos Heitor, Fernando e Marco Antônio. De acordo com as informações prestadas por ela à Revista  Nossa, o pai dela Angelo Giuberti veio para o Brasil, com oito anos de idade, junto com os pais, na imigração italiana.

A mãe Adélia Ferrari (irmã do colonizador do norte do Rio Doce de Colatina, Fidélis Ferrari), nasceu no Brasil, mas era filha também de imigrantes italianos.
 
Com a união de Angelo e Adélia, nasceu Mariquinha, que depois foi uma dedicada professora na sua mocidade, após ter estudado no Colégio das Irmãs do Carmo, em Vitória, para aplicar seus conhecimentos na Princesa do Norte.
 
Dois de seus irmãos, Rubens e Raul, foram outros da família que enriqueceram seus conhecimentos em regiões mais distantes, em Juiz de Fora, em Minas Gerais.
 
Dona Mariquinha, entretanto, chegou a fazer o curso primário no 1º Colégio de Colatina, no local onde depois passou a se chamar Colatina Velha.
 
Um dos episódios marcantes para dona Mariquinha, durante a sua mocidade, quando dava aulas em São Silvano, foi atravessar a ponte Florentino Avidos, quando ainda não existia corrimão de segurança para os pedestres, somente dormentes sobre as pilastras e uma estreita cobertura de tábuas.
 
Ela era obrigada a fazer a travessia diariamente do centro da Princesa do Norte para São Silvano, onde aplicava suas aulas para os moradores da nascente cidade de Colatina. Ela fazia questão de destacar a dificuldade para a travessia numa ponte tão grande como a largura do Rio Doce e mais o trecho paras chegar na escola, que ficava no local onde está hoje a Igreja Católica de São Silvano. Naquela época, segundo ela, a escola não possuía sequer carteiras para os alunos se acomodarem.
 
Os pais dela, Angelo e Adélia, foram donos do prédio onde está localizada a Lanchonete  Favorita, na Praça Municipal Getúlio Vargas, e de mais uma quadra ao redor da lanchonete. Segundo dona Mariquinha,  foi seu pai quem construiu no início do Século XX, em 1913. Na época era chamado de “sobrado”. No mesmo local funcionou uma loja e o dormitório do hotel da família.

Aliás, o Hotel Estação, como era popularmente conhecido, sendo que as refeições eram servidas ao lado do sobrado, na mesma quadra. “Para mim”, disse ela, “o sobrado é uma relíquia, uma lembrança de minha infância”, completando dizendo que o segundo prédio construído naquele tempo foi o que abriga hoje a loja das Casas Tigre e pertence à família Dalla.
 
A título de curiosidade, dona Mariquinha recorda-se de ter visto índios em sua infância, que chegaram a se hospedar no hotel de seus pais, onde havia também barracões para a guarda de produtos transportados pelos trens de ferro. Daquela época, em que a estação ferroviária ficava na Praça Municipal (Praça Getúlio Vargas), ela tinha lembrança ainda de prenome do vendedor de revistas, que era Fidélis. E conta que, quando o trem chegava, o Hotel da Estação ficava com uma grande movimentação de pessoas.
 
Quanto ao setor de diversões, dona Mariquinha citou que os bailes do antigo Clube Recreativo Colatinense, que ficava em frente á casa de Raul Giuberti, eram a maior diversão do início do Século XX.
 
Já na parte religiosa, todos os domingos as famílias iam à Igreja Católica que ficava em Colatina Velha, onde se encontravam os prédios da Prefeitura Municipal e da Coletoria.
 
Como moradora antiga de Colatina Velha ela citou apenas a lavadeira Margarida Salvadeu que era muito amiga dela.
 
Ela lembrou na entrevista para a Revista Nossa, que sua prima, Maria Ferrari, foi Miss Espírito Santo, em 1930, para orgulho da família e dos colatinenses.
 
 
 
 
 
 
 

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