09/12/2021 às 07h20min - Atualizada em 09/12/2021 às 07h20min

Militante comunista nasceu em Colatina

Carlito foi duramente perseguido pela ditatura militar brasileira

- Paulo César Dutra
Presente & Passado
Carlito perdeu cedo o pai e o padrasto e foi responsável por ajudar a criar os irmãos. Foto: Ilustração Web.
 
O militante político e escritor Carlito Ozório morreu numa segunda-feira, 8 de 2016 aos 89 anos, depois de passar meses internado. Ozório, nascido em Colatina (noroeste do Estado) em 1926, foi um dos principais expoentes políticos do Estado, passando pela perseguição e exílio durante o período da ditadura militar.

Carlito perdeu cedo o pai e o padrasto e foi responsável por ajudar a criar os irmãos. Durante a juventude, Carlito chegou a morar no Rio de Janeiro, quase se tornando sargento do Exército. Ao voltar ao Estado, para gerenciar a fazenda do padrasto e, posteriormente, a cerâmica do avô, descobriu a própria vocação e seguiu para a militância política.

Ozório viveu por 11 anos na clandestinidade na Bahia e em São Paulo e, ainda assim, não deixou de atuar como revolucionário de retaguarda,  coordenando e dirigindo o PCdoB com a cobertura aos “procurados” de outros estados, marcados para serem presos.

A trajetória de vida de Carlito Ozório é contada no livro "Amargo Doce - Memórias, Trincheiras e Política", lançado em 2011 pela editora Cousa. Nele, a partir do Rio Doce, Carlito narra sua própria história partindo do distrito de Itapina, passando pelos anos de clandestinidade na Bahia e em São Paulo, pela reabertura política, até a retomada da vida profissional e da produção literária.

No livro, Carlito relata que a política estava em seu sangue e na cabeça. Esta militância o fez ser intimado, em 1968, pelo serviço de informação e inteligência do 38° Batalhão de Infantaria de Vila Velha. Temendo ser preso e torturado, saiu do Estado enquanto ainda era servidor do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários (IAPC) – que virou Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e, posteriormente Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

Depois de 11 anos no exílio voluntário e forçado, depois da decretação da anistia política requereu a reintegração ao INPS, que foi negada, sob alegação de abandono de emprego. Depois de quatro anos, conseguiu o retorno, com direto a aposentadoria por tempo de serviço ativo.

Carlito Ozório foi fundador também do Partido da Mobilização Nacional (PMN), ocupando a presidência estadual e vice-presidência nacional da sigla.

Carlito deixa, além da saudade dos amigos e familiares, a mulher, Nayr filha, Carla Osório. Em relato publicado no Facebook, a filha lembra que foram muitos meses de luta com ele no hospital. “Agora ele está descansando, um descanso merecido”.
 
 
 
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